Os transtornos e a psiquiatria infantil

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“Preste atenção em seu filho! Tem algo errado? Procure logo um profissional! Essa atitude pode evitar problemas graves no futuro”

O desenvolvimento infantil merece cuidado e atenção dos pais. Muitas vezes as crianças não apresentam sintomas claros de alguma psicopatologia ou transtorno, mas algumas mudanças repentinas de comportamento pode ser um sinal de que algo não está indo muito bem. A Psiquiatra Infantil Talita Serra Tobias de Sousa alerta sobre a importância de acabar com o preconceito que envolve doenças mentais.
“Muitas vezes as crianças chegam aqui no consultório após passar por inúmeros outros profissionais da medicina, por causa do preconceito que os pais têm de procurar um psiquiatra”, diz.
Por centenas de anos, os distúrbios mentais foram vistos com olhares maldosos e extremamente preconceituosos. Este preconceito ainda está muito presente na nossa sociedade. O psiquiatra era o médico responsável pelos considerados loucos e inaptos pela sociedade. Porém, os tempos mudaram, assim como os problemas.
Muitos dos diagnósticos de “loucura” foram descobertos como distúrbios. Outros, agora sabe-se que nem sequer existiam e que se baseavam em puras crenças e no imaginário da sociedade. O papel do psiquiatra foi mudando para algo mais apaziguador, um profissional da saúde que, capacitado, pode cuidar para que a saúde mental, biologicamente falando, esteja em equilíbrio. O objetivo é proporcionar uma boa qualidade de vida para o indivíduo.
Dra Talita ressalta a importância do diagnóstico precoce dos transtornos mentais, principalmente os casos de autismo, o transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e a esquizofrenia: “Quanto mais cedo ocorrer a identificação do problema e o início do tratamento, melhor será o resultado e inclusive a qualidade de vida do paciente e até mesmo da sua família”.
Segundo a psiquiatra infantil, os casos mais comuns de transtornos mentais (e que representam a maioria das situações que acometem crianças e adolescentes) estão os de transtornos de ansiedade, de humor e de aprendizagem. “Os casos de hiperatividade entre crianças devem ser diagnosticados com muita cautela. É necessário identificar quando a hiperatividade deixa de ser uma característica da personalidade para ser diagnosticado como um transtorno mental”, ressalta.

DIAGNÓSTICO

A psiquiatria infantil é a especialidade médica dedicada ao estudo, prevenção, diagnóstico e tratamento de transtornos mentais em crianças e adolescentes, nos quais se incluem o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, transtorno do espectro autista, depressão, ansiedade e transtornos de aprendizagem, entre outros.
O psiquiatra infantil está apto a realizar uma avaliação médica completa, exame físico e eventual solicitação de exames laboratoriais, neurofisiológicos e de neuroimagem (ressonância magnética), no intuito de pesquisar possíveis fatores genéticos, biológicos, socioculturais, comportamentais e psicodinâmicos associados ao adoecimento mental. De forma igualmente importante, a avaliação médica permite que se excluam doenças de outros sistemas que possam simular transtornos mentais, como alterações endócrinas, infecciosas e neoplásicas, por exemplo.
Com base nestas informações, o psiquiatra infantil orienta o paciente e a família a respeito de sua impressão diagnóstica e propõe, em um contexto multidisciplinar, o plano de tratamento mais adequado, seja ele psicoterápico, farmacológico ou uma combinação de ambos, com o objetivo de aliviar o sofrimento e promover o bem-estar psíquico.
A psiquiatra adianta que o tratamento com medicação está indicado apenas em casos comprovadamente associados e transtornos que exijam o uso de remédios, como o TDAH e quadros graves de depressão e fobia escolar.

TRATAMENTO EM SÃO LUÍS

Dra Talita, que coordena a equipe de psiquiatria infantil do Hospital Estadual Nina Rodrigues, além de fazer atendimento na Clínica Pleno e no Hospital Universitário, se preocupa com a falta de profissionais na área para suprir a demanda na capital.
Ela ressalta o trabalho no Hospital Nina Rodrigues que tem um setor especializado em psiquiatria infantil que desenvolve um importante papel tanto no tratamento dos pacientes, quanto na construção do atendimento humanizado.
“Criamos essa equipe há dois anos para fazer o atendimento a essas crianças e a procura vem aumentando consideravelmente”, informa Talita.

TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS NA INFÂNCIA

Alguns transtornos comuns na infância precisam ser identificados e tratados logo para que eles não desenvolvam problemas ainda maiores na criança. “Tem que ter muita atenção, cuidado e respeito, é uma questão de proteger a criança”, destaca Talita.

Transtornos da aprendizagem

referem-se a dificuldades na leitura, na capacidade matemática ou nas habilidades de escrita, medidas por testes padrões que estão substancialmente abaixo do esperado, considerando-se a idade da criança, seu quociente de inteligência (QI ) e grau de escolaridade.

Transtornos das habilidades motoras

é identificado quando o desempenho em atividades diárias que exigem coordenação motora está abaixo do esperado para a idade, como por exemplo, atraso para sentar, engatinhar, caminhar, deixar cair coisas, fraco desempenho nos esportes ou caligrafia insatisfatória. Muitas vezes essa criança é vista como desajeitada, tropeçando com frequência ou inábil para abotoar suas roupas ou amarrar os cadarços do sapato.

Transtornos da comunicação (linguagem)

a perturbação pode manifestar-se por sintomas que incluem um vocabulário limitado, erros grosseiros na conjugação de verbos, dificuldade para evocar palavras ou produzir frases condizentes com sua idade cronológica. Os problemas de linguagem também podem ser causados por perturbações na capacidade de articular sons ou palavras.

Transtorno do déficit

de atenção-hiperatividade: As crianças com esse transtorno são consideradas, com frequência, crianças com um temperamento difícil. Elas prestam atenção a vários estímulos, não conseguindo se concentrar em uma tarefa única e, assim, cometendo erros muitas vezes grosseiros. É comum terem dificuldade para manter a atenção, mesmo em atividades lúdicas e com frequência parecem não escutar quando chamadas. Muitas vezes não conseguem terminar seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais. Têm dificuldade para organizar tarefas, evitando, antipatizando ou relutando em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante. Costumam perder facilmente objetos de uso pessoal. Esquecem facilmente atividades diárias.

Transtornos Depressivos na Infância

Ocorrem tanto em meninos quanto em meninas. Os sintomas de depressão podem ser: isolamento, calma excessiva, agitação, condutas agressivas, intensa busca afetiva, alternando atitudes prestativas com recusas de relacionamento. A socialização está geralmente perturbada: pode haver recusa em brincar com outras crianças e dificuldade para aquisição de habilidades. As queixas somáticas são frequentes: dificuldade do sono (despertar noturno, sonolência diurna), alteração do padrão alimentar. Queixas de falta de ar, dores de cabeça e no estômago, problemas intestinais e suor frio também são comuns.

Transtornos Globais do Desenvolvimento (Autismo Infantil)

Costumam se manifestar nos primeiros cinco anos de vida. Existem várias formas de apresentação dos transtornos globais, não havendo até o presente momento um consenso quanto à forma de classificá-los. A forma mais conhecida é o Autismo Infantil, definido por um desenvolvimento anormal que se manifes
ta antes dos três anos de vida, não havendo em geral um período prévio de desenvolvimento inequivocamente normal. As crianças com transtorno autista podem ter alto ou baixo nível de funcionamento, dependendo do QI, da capacidade de comunicação e do grau de severidade nos seguintes itens.

PERFIL TALITA SERRA TOBIAS DE SOUZA

Médica psiquiátrica (CRM MA 5.358).
Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Residência em Psiquiatria pelo Hospital de Base do Distrito Federal.
Residência em Psiquiatria Infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Título de Especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria e Membro da ABP.
Atende: Clínica Pleno (Av.Colares Moreira, número 07, Ed. Vinícius de Moraes, sala 703. São Luís/MA); Hospital Universitário Materno Infantil Presidente Dutra; e Hospital Estadual Nina Rodrigues.

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